6 lições dos gansos que todo remador deveria aprender
- Caio Carvalho
- 14 de nov.
- 3 min de leitura

De vez em quando, a vida afasta a gente da rotina da remada.
Faz parte.
Mas mesmo longe da canoa, o mar continua ensinando — às vezes de formas que a gente nem espera.
E foi nesse intervalo que voltei a revisitar uma inspiração, uma metáfora, que pode fazer total sentido para quem vive a canoagem va’a: o voo dos gansos 🪿.
Eles não são apenas um espetáculo no céu.
São uma aula viva sobre espírito de equipe, ritmo, entrega e humildade — exatamente os elementos invisíveis que fazem uma canoa deslizar, mesmo quando o mar está pesado.
Por isso, separei 6 lições dos gansos que todo remador deveria levar para dentro da canoa — e, principalmente, para dentro de si.
1. Quando todos alinham, a viagem fica mais leve
Gansos voam em V porque a batida de asa do primeiro cria um impulso para os que vêm atrás.
É uma eficiência natural.
É energia compartilhada.
Na canoa, é igual.
Quando seis remam no mesmo pulso, a canoa vira um corpo só.
Não é força bruta — é sincronismo.
É cadência
É escuta.
Mas basta um sair do ritmo para tudo pesar.
Os gansos mostram que alinhar não é detalhe: é fundamento.
2. Liderar é revezar
O ganso da ponta recebe toda a resistência do vento.
Por isso, quando cansa, ele troca naturalmente de posição.
Outro assume.
A travessia continua.
Na canoa, eu vejo como a mesma lógica:
quem puxa, puxa;
quem navega, navega;
quem segue, apoia.
Mas ninguém aguenta tudo sozinho.
E quem entende isso evita desgaste, ruído e queda de performance.
Revezamento é respeito ao corpo — e aprendizado como grupo.
3. Incentivo mantém a canoa viva
Durante o voo, os gansos "gritam" para encorajar quem está na frente.
O “grááá” dos gansos não é ruído: é incentivo.
É comunicação ativa.
É energia.
É pertencimento.
Na canoa, o incentivo é olhar, é som, é vibração — é aquele “juuuuunto canoa!” que muda o treino inteiro.
Equipes com líderes silenciosos tendem a quebrar.
Equipes que incentivam crescem.
O clima na canoa define a remada.
4. Se um cai, dois descem junto
Essa é uma das lições mais profundas:
Se um ganso fica fraco ou se machuca, dois o acompanham até que ele possa voar de novo.
Não abandonam.
Não aceleram sozinhos.
Não deixam para trás.
Isso é uma colaboração verdadeira.
Na cultura da canoa, isso deveria ser regra: ajudar, esperar, ensinar, acolher.
Equipe que só existe nos dias de mar calmo não é equipe.
É coincidência.
**5. Cooperar é o mínimo.
Colaborar é o que muda tudo.**
Cooperar é quando você ajuda se pedirem.
Colaborar é quando você aparece, age, apoia e se envolve porque entende que faz parte.
Cooperação mantém a canoa funcionando.
Colaboração faz a canoa evoluir.
É ela que define:
quem só ocupa um banco
de
quem verdadeiramente pertence à canoa.
Cultura de va’a se constrói nos gestos invisíveis.
6. A natureza fala a mesma língua que o mar
Os gansos mostram que organização, cuidado e espírito coletivo são naturais.A canoa confirma que são indispensáveis.
Tudo se conecta:
ritmo,
presença,
humildade,
revezamento,
incentivo,
responsabilidade compartilhada.
Quando um grupo abraça esses princípios, a canoa muda.E quando a canoa muda, tudo muda.
O voo em V e a remada em sincronia são a mesma verdade em dois mundos diferentes:
não é sobre remar forte — é sobre remar junto.
Inspirações
Livro Power Skills – Dafna Blaschkauer
Artigo clássico internacional: “Lessons from Geese”
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